Leticia Matos e a experiência do documentário “Pano Pra Moda”

23 23UTC julho 23UTC 2009 · 3 Comentários

Embora nas últimas duas décadas a moda brasileira tenha ganhado espaço na mídia, nas universidades e no imaginário das pessoas, pouco se fala dela com profundidade, relacionando aquelas construções de imagens perfeitas para aguçar o desejo, ao mercado, ao consumo, ao setor industrial mesmo, não apenas midiático.

A jornalista Leticia Matos dirigiu o documentário “Pano pra Moda”, com lançamento previsto para esse segundo semestre de 2009. Durante 52 minutos, apresenta profissionais envolvidos em diferentes etapas do sistema de moda, abordando o que acontece no mercado além de grandes semanas de desfiles. Uma excelente idéia.

Abaixo, o trailer e uma pequena entrevista que Leticia me respondeu, gentilmente, por e-mail. Ela fala sobre suas surpresas durante as filmagens e o seu próximo trabalho com o tema: um documentário sobre o histórico estilista Dener.

BH:  Você tem muita experiência em jornalismo e publicidade. Durante as entrevistas para o documentário, houve algum aspecto sobre o mundo da moda que te surpreendeu, algo que você esperava que fosse diferente?

LM: Alguns pontos me surpreenderam. O Jum Nakao fala que os profissionais que pretendem ingressar nesse mercado devem estar preparados para trabalhar com comércio exterior. Outra questão é o profissional mais procurado: modelista. Quem tem boa formação tem trabalho garantido. Também não sabia que os profissionais interessados em atuar no mercado externo hoje tem diversas plataformas para levar seu trabalho lá fora, como a APEX, que inclusive realiza show rooms com diversas marcas/estilistas. A importância da FENIT, de como ela era quando surgiu. Eu sabia que antigamente eram realizados desfiles, mas desconhecia o fato de que algumas produções tinham proporções que não se repetiram em nenhuma outra semana de moda atual.

BH:Na sua opinião, quais são as características do mercado responsáveis pelo avanço da moda brasileira culturalmente (por exemplo, a boa posição de São Paulo e Rio de Janeiro na lista das principais capitais de moda)?

LM: Eu acredito que o advento do SPFW marca o avanço da cultura de moda. O São Paulo Fashion Week é o maior fenômeno de mídia expontânea no Brasil, ele só perde para a copa do mundo quando ela acontece.São mais de 5 mil páginas publicadas a cada evento, mais de 300 horas na TV.

BH:Você tem outros projetos no campo da moda?

LM: O próximo projeto vai ser Um Luxo! Um documentário sobre Dener Pamplona de Abreu.

→ 3 ComentáriosCategorias: Moda · entrevista
Etiquetado: , , ,

Oficinas Culturais: 2º semestre

14 14UTC julho 14UTC 2009 · 1 Comentário

É época de incrições para oficinas culturais do estado. Eu acho que vale bastante a pena fazer umas oficinas de vez em quando, normalmente elas são muito boas (se você der o azar de pegar uma ruim, não tenho nada a ver com isso!)

Separei aqui as oficinas estritamente relacionadas a moda, mas procurem pelas outras, que podem acrescentar tanto quanto.

Então, se joguem. Tem uma da Rita Comparato, que vai lotar, claro, então se dedique muito no xaveco.

OC ALFREDO VOLPI – ITAQUERA

Coordenadora: Nancy Mollo
Rua Victório Santin, 206 – Itaquera – Cep: 08290-000 – São Paulo – SP
Telefone: (11) 2205-5180 | avolpi@assaoc.org.br
Funcionamento: Segunda a sexta-feira das 13h às 22h e sábado das 10h às 18h

WORKSHOP DE CRIAÇÃO DE FIGURINOS - 15 vagas (S)
Coordenação: Olimaris de Freitas
3/11 a 1/12 – terças-feiras – 18h às 21h
Público-alvo: Interessados com conhecimento intermediário em teatro ou moda
Faixa etária: adultos
Seleção: currículo
Inscrições: 27/7 a 30/10


OC OSWALD DE ANDRADE – BOM RETIRO

Coordenador: Jurandy Valença

Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – Cep: 01123-001 – São Paulo – SP

Telefone: (11) 3221-5558 / 3222-2662 | oswalddeandrade@assaoc.org.br

Funcionamento: Segunda a sexta-feira das 8h às 22h, sábado das 10h às 18h e domingo das 13h às 18h

OFICINA DE MODA “DESCOMPLICANDO A MODELAGEM” - 20 vagas (S)
Coordenação: Rita Comparato
1/9 a 17/11 – terças-feiras – 18h30 às 21h30
Público-alvo: interessados com conhecimento intermediário na área
Faixa etária: adultos
Seleção: currículo e carta de interesse
Inscrições: 27/7 a 25/8
OFICINA DE CRIAÇÃO DE MODA EM TÉCNICA MOULAGE - 15 vagas (S)
Coordenação: Guilherme Mata
15/8 a 10/10 – sábados – 13h30 às 17h30
Público-alvo: interessados com conhecimento intermediário na área
Faixa etária: adolescentes e adultos
Seleção: carta de interesse e entrevista dia 12/8 – 17h30 às 21h30
Inscrições: 27/7 a 10/8

→ 1 ComentárioCategorias: Cursos
Etiquetado:

It Girl: Elke Maravilha

14 14UTC julho 14UTC 2009 · 2 Comentários

elke-maravilha01

elke-maravilha

elke

elkporrada

elkebye

elke34

→ 2 ComentáriosCategorias: It
Etiquetado: , , ,

“O Luxo Eterno”, Gilles Lipovetsky & Elyette Roux

13 13UTC julho 13UTC 2009 · 2 Comentários

“Não tenho nenhum gosto particular pelo luxo. Apenas o de pensá-lo.”

É com essa frase que o filósofo Gilles Lipovetsky, autor mais citado entre os estudantes de moda por “O Império do Efêmero” , de 1989, abre o primeiro ensaio de “O Luxo Eterno”. Este livro está na minha casa há uns cinco meses, mas só neste fim de semana chuvoso é que decidi lê-lo, e logo nesta primeira frase bateu aquela sensação de “putz, devia ter lido antes”, tal qual a simpatia e identificação.

O livro é composto por dois ensaios. No primeiro, “Luxo Eterno, Luxo Emocional”, G.L. discorre sobre o luxo nas civilizações, das mais antigas quando o luxo se relaciona com manifestações sagradas até tomar as formas pelas quais o identificamos hoje – emocional, marketeiro, consumista. O outro ensaio foi escrito pela especialista em marketing e gestão de marcas Elyette Roux. Com um texto até melhor que o de G.L. (culpa da tradução? não sei, não falo francês ainda), ela sedimenta as questões levantadas no ensaio anterior com informações de mercado e uma análise bastante esmiuçada da Chanel, a marca.

Como qualquer ensaio, o livro levanta muito mais questões do que apresenta conclusões, mas é um apanhado excelente e mostra o bom conhecimento  dos conceitos de outros teóricos, como Bourdieu, Veblen e Simmel e, mesmo focando principalmente os mercados europeus e americanos, funciona muito bem para uma análise dos casos brasileiros.

Indicado para qualquer um interessado em sociologia e consumo em geral.Consumo não de apenas consumir, mas de pensá-lo, como citei no início deste post.

Capa da edição nacional, lançada em 2005

Capa da edição nacional, lançada em 2005

Ah! Créditos para minha amiga Flávia Cláudia, que me emprestou o livro.

→ 2 ComentáriosCategorias: Moda

Rasgo seda: Ronaldo Fraga e Lino Villaventura

8 08UTC julho 08UTC 2009 · 2 Comentários

Porque o “gosto” é uma coisa tão pentelha que interfere nas análises, então nem coloco Lino e Ronaldo no mesmo caldeirão que o todo. Eles são os estilistas que temporada pós temporada me fazem lembrar que SIM!, existe encantamento nessa coisa de moda.

Ronaldo Fraga

O Ronaldo tem humor, o que é importante no meio de tanto carão, ele conta histórias e suas referências nunca são unicamente visuais, não, ele se permite trazer outras informações para a apresentação. A marca tem estabilidade comercial suficiente para apresentar peças que não necessariamente se encaixam nas tendências mundo afora, e ele se aproveita disso fazendo peças desejáveis mas que quebram as repetições enfadonhas. Adoro, beijo, Ronaldo!

Nesta edição, o estilista que já remexeu nosso imaginário, criando a partir de Drummond de Andrade, Nara Leão e, porque não, as costureiras, vestiu “MickeyMouses” de personagens latinos, com elementos que podiam ser mexicanos, colombianos, brasileiros, fundidos com personagens Disney, admitindo o quão dominados fomos culturalmente, e o quanto resistem as próprias características desses países da América Latina. O  que fica quando os países “de cima” escorrem para cá. E as marmitas, referência máxima do trabalhador, sabe, esse figurante nos centros cosmopolitas? E o final, em que os looks são cobertos por bandeiras latinas? É isso: aproveitem, estilistas, está todo mundo olhando.

Deleitem-se.

Lino Villaventura

O Lino é muito diferente do Ronaldo, mas é um excelente “fazedor de espetáculos” também. Muito mais teatral que comercial, lida muito bem com tecidos diferentes em um mesmo look e cria ambientes etéreos, seres que não são daqui. É roupa de rico, aristocrático, exagerado.

Juro que sempre sonho que cruzo o tapete vermelho (não importa qual) usando um Lino Villaventura, porque eu também sou filha de Jeová.

→ 2 ComentáriosCategorias: Moda